domingo, 8 de agosto de 2010

O que as mulheres querem

Passei boa parte da pré adolescência lendo.

Obviamente não me refiro aos livros recomendados nas aulas de literatura, mas sim, aos romances talvez não adequados a minha idade que eu encontrava na casa de minha tia.

Sem excessão, tratavam de amores complicados entre pessoas lindas e bem sucedidas com finais felizes. Mas também sem excessão, a mocinha não facilitava em nada o acesso, o que obrigava os apaixonados cavalheiros a fazerem o impossível para conquistar seus corações.

Corta.

Em plena adolescência, saí do interior e vim morar na capital.

Foi um choque de realidade e tanto.

Não que, não houvessem romances por lá, mas fui obrigada a me desfazer da minha cabaninha romântica na marra.

Descobri a lei da oferta e da procura, mais as estatísticas, etc. etc.

Tantas mulheres solteiras X homem X gays, significavam que os livros que andei lendo estavam completamente errados.

Quem precisava arrastar um bonde pra conquistar um coração que valesse a pena eram as mulheres.

Saí pelo mundo acreditando em outra teoria, alimentada agora por outro tipo de literatura, a revista voltada ao público adolescente da época.

Os homens é que eram difíceis, e lá existiam diversas colunas tirando as mais diversas dúvidas juvenis, tipo como aprender a beijar de lingua em uma laranja (acredito que muito homem andou lendo isso e nunca mais aprimorou a técnica) ou como não se deveria deixar nem se aproximar do peito caso quisesse passar a impressão de uma menina séria. Caso o fizesse, acabaria “falada”.

Ah, os anos 80!

Como não sou uma dependente completa da opinião alheia, fui fazendo meus próprios experimentos afetivos afim de algum dia poder desenvolver uma teoria própria.

Eis que um pouco mais tarde, descubro o manual da escravidão feminina, uma revista voltada para as mulheres, que um desavisado poderia jurar ser escrita por um homem.

Ou, caso um homem leia, pode desmascarar a maioria das mulheres solteiras existentes no Mercado.

A revista Nova da dicas de como se transformar em um personagem bizarre afim de laçar um homem.

Como se vestir, como se pentear, que roupa usar, que tom de voz utilizar, ações e reações, tudinho para parecer apetitosa para o bonitão do outro lado do bar.

Só não explica o que fazer com quem você é de verdade caso a noitada com o bonitão vire um relacionamento.

E lá vão as mulheres para a berlinda novamente.

Mas como no mundo da literatura existem opções infindáveis para curiosidades que não cessam com o decorrer dos anos, fui dar uma espiada nos livros que ajudam a entender o que é que fazemos de errado para não sermos desejadas e amadas como queremos por estes complexos seres que são os homens.

Mais lições e lições do que fazer, como se portar afim de passar o resto da vida invejando alguém (as solteiras invejando a vida estável das casadas, as casadas por sua vez, invejando a liberdade e a vida sem rotina das solteiras…).

Todo esse texto para chegar onde eu queria chegar.

Sou apenas curiosa, nem expert, nem feminista, nem recalcada, nem nada, já fui casada, solteira, noiva, enrrolada e no momento não estou só nem com ninguém, não sei se quero casar, nem ficar sozinha, apenas vivo minhas experiências e observo o mundo a minha volta.

Nestas observações por algum tempo julguei andar sendo muito parcial, afinal estada teorizando muito baseada em minhas experiências e nenhuma teoria pode ser considerada válida sem uma amostragem maior.

Com isso comecei a observar com mais atenção a relação das outras pessoas.

De amigas íntimas, da babá da minha filha, das amigas das amigas, de pessoas que trabaham em segmentos diferentes do meu, afinal poderia ser um mal da classe profissional.

Não era.

Os homens estão acometidos de uma mulherzice impressionante.

Atitudes que eu passei a vida ouvindo ser das mulheres sendo tomadas pelos homens.

Antigamente as mulheres recebiam “atributos” que pareciam inerentes ao DNA feminino.

Pelo tom das críticas masculinas, homens jamais teriam atitudes como:

- O chicletinho: você sai com o cara um dia, no dia seguinte, ele quer quer dormir na sua casa e no outro e no outro até você sufocar, esse espera que você aja como uma heroína daqueles romences tipo “Sabrina” e deixe seu coração ser conquistado?

- O casador: ele parece perfeito na primeira semana, mas na segunda já está fazendo planos de casar e você já conheceu a família dele – que mora no interior e tudo – e este? Gatinha da Capricho que ainda acredita que existem meninas para namorar?

- O maníaco do telefone: na primeira vez que ele liga pra dizer boa noite, você acha fofo, mas quando ele faz isso TODAS as noites ou quando liga 52 vezes enquanto você janta com sua amiga, é assustador, se bem que para esse eu recomendaria um daqueles livros pra mulheres que diz que imprevisibilidade também é bom em homens

- O fiel: aquele que diz que nunca foi fiel a mulher nenhuma, mas com você ele não tem olhos pra mais ninguém – este certamente espera que você se comporte como a mulher de “Nova” e finja que acredita…

Ontem um amigo me disse que tudo o que ele sabe sobre mulheres, é que nenhuma resiste a um safado, mas veja bem, um safado, não necessariamente quer dizer um mau carater.

O amigo em questão nunca se disse santo e acredito que não é.

Mas também não acredito que alguém, no caso dele tenha comprado gato por lebre e nunca o vi sozinho por aí, nem suas relações são efêmeras.

Terá ele razão?

Nesse caso, não consegui concluir coisa alguma.

Partindo da idéia de que uma pitada de safadeza todos temos – eu particularmente não confio jamais em gente certinha demais, pergunto:

O que exatamente buscamos, se demais é chato, de menos da carência e perfeição não existe?

quarta-feira, 23 de junho de 2010

Já viu de lupa?

Passei algum tempo sem escrever, um pouco por falta de inspiração, outro pouco porque toda vez que me sentia inspirada estava no trânsito, trabalho, banho, ou algum outro lugar impossível de digitar textos longos.

Nesse período ausente, muita coisa mudou, mas a minha curiosidade nas pessoas continua a mesma.

Um exemplo?

A conhecidíssima e repetidíssima frase do Caetano Veloso: “de perto, ninguém é normal”.

Eu nunca me achei o símbolo da normalidade, eu brinco em tom de briga, brigo em tom de brincadeira e até as pessoas que me conhecem muito bem, muitas vezes me olham como uma incognita sem saber ao certo se devem rir ou sair correndo.

Eu costumava achar que a falta de normalidade só acontecia comigo.

Imagina só aquela minha amiga linda, bem sucedida e bem vestida, tendo discussões violentas com o namorado todo certinho cujo cabelo não tem um fio fora do lugar e o comportamento em público sempre passa a imagem de que é um lorde.

Eu não imaginava.

Tinha o hábito observar as pessoas de longe e acreditar em comportamentos exemplares diante de qualquer situação na vida – exceto aqueles loucos de atar em poste, afinal posso ser tolinha, mas não cega.

Anos de terapia depois, tentativas e mais tentativas em ficar o mais normal possível, descobri verídica a tal frase do Caetano, que todos tem suas loucurinhas de vez em quando e que a grande diferença entre mim e os outros é que as insanidades alheias eu desconhecia.

Um dia, meio envergonhada das minhas reações, mas precisando dividir minhas angústias, contei tudinho. Botei pra for a todas aquelas coisas entaladas que costumava guardar achando que qualquer pessoa que ouvisse tais histórias ficariam horrorizadas com a pessoa que eu era quando ninguém estava vendo.

Depois do mais profundo desabafo, onde abri minha alma e contei todos os meus podres, fiquei esperando pela sessão de aconselhamentos maduros, as repreensões pelos meus atos, já estava quase pensando em ir pra casa me auto-flagelar quando ela me surpreendeu com o comentário:

- Guriiiiiiiaaaaaaa (sim, mulheres falam desta forma, exagerando nas vogais), isso é fichinha perto do que me aconteceu na semana passada.

Disse esta frase e me narrou histórias surpreendentes sobre sua passagem no mundo.

Fiquei óbviamente sem reação, pois quem imaginaria que aquela pessoa alta, linda, loura e sempre impecável também tinha comportamentos repreensíveis?

Num misto de espanto e incredulidade fui contar o fato pra outra amiga – juro! Estava apenas compartilhando experiências, jamais fazendo fofoca.

Eis que ela responde:

- Guriiiiiiiiaaaaa (sim, ela também gosta de vogais), tá chocada com isso? Pois eu já fiz pior.

E lá seguiu ela narrando suas histórias cheias de “anormalidades” jamais imaginadas por mim.

Minha curiosidade incontida diante da vida alheia já está assimilada apesar de correr risco de ser avaliada como uma anormalidade, porém diante desta nova descoberta, foi impossível não pesquisar os outros, um pouquinho mais.

Seja no trabalho, na vida afetiva, nas amizades, não há quem não tenha dado uma escorregadela.

Na próxima vez em que olhar aquele seu amigo de quase dois metros e quatro décadas, super bem casado, experimente imaginá-lo numa cena histérica de ciúme, onde ele ameaça descer de um carro em movimento, não?

Impossível?

Coisa de mulherzinha?

Nein?

Se não foi ele, alguém bem próximo já deve ter feito.

E dizer que vai embora e ficar esperando do lado da porta o outro chamar de volta desesperado?

E ligar pra alguém com quem brigou fingindo descaradamente estar retornando uma suposta ligação recebida?

Ainda não?

Poderia passar a noite listando situações até você identificar alguma em alguém, porém preferi parar antes de ser identificada numa ou outra reação.

Anos tentando parecer normal para descobrir que a normalidade está em ser insano as vezes e que loucura é não se sentir normal com isso.

Preferências, atitudes, reações, sempre serao muito particulares e passíveis de julgamentos; mas, na próxima vez em que se notar exclamando “ahmedeus, isso não é normal”, expeirmente olhar de pertinho…

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Adoro tempestades com trovões

Hoje, dirigindo com o ar condicionado no máximo – mas nem por isso com menos calor – me vi xingando mentalmente o mundo.

Os pensamentos que não paravam nem por um minuto de resmungar, falavam assim:

- Alguém em sã consciência hoje irá dizer que gosta de verão???

- Toda vez que eu comento que amo tempestades com trovões e dias cinzentos, costumam achar tudo muito depressivo. Mas tem algo mais depressivo do que trabalhar de calça jeans num dia quente e o ar estragar?

- Além do calor, xinguei os prestadores de serviço que vivem de comissão, precisam vender e dizem assim “em seguida retorno tua ligação” e nunca mais ligam (será que a procura está maior que a oferta?)

- Teve lugar pra resmungar com uma amiga que me perguntou o que fazer com o atual ex-namorado (digo atual ex, porque já acabaram e voltaram tantas vezes que nunca se sabe que espécie de atual ele é…). Ela me chamou de grossa, só porque ao me perguntar o que fazer com o ex que não queria falar com ela eu sugeri que ela ficasse em silêncio, afinal se ele não quer ouvir, ela vai falar pra quem?

Foi nesse instante que o mau humor começou a dissipar.

Não por pensar que a desgraça alheia pode ser pior que o calor, mas porque lembrei que vi no twitter um comentário sobre o blog que a Cínthya Verri fez pro namorado, chamado “Matando Carpinejar”.

Lembrei da Cínthya, não somente pelo texto, mas também por ter aprendido com ela algumas coisas que me tornaram um pouquinho melhor (não melhor para os outros, mas melhor comigo mesma, já que minha auto-crítica sempre foi minha pior inimiga).

Tive alguns terapeutas, todos com seus méritos, já que da experiência com cada um, em momentos completamente diferentes da vida, acabei descobrindo um pouquinho mais a meu respeito.

Mas a Cínthya tem um lugar especial, porque embora tenha durado menos que os outros, compartilhou de descobertas (óbvias a olho nu, mas que sempre tive dificuldade em admitir).

Ouvi dela algumas frases que mudaram a minha vida pra sempre e que me deixam muito feliz quando posso reconhecer nos outros algo que os deixa cegos mas eu já consegui enxergar.

Logo no início, sem piedade, ela resumiu em três palavras o diagnóstico da doença mais terrível que eu já sofri:

- Você está apaixonada!

Eu teimosa como sou, contestei.

- Tô nada, to doente.

Ela argumentou – tá sim!

Eu chorava baldes de lágrimas e tentava contra-argumentar - não! Estar apaixonado é bom, isso é que estou sentindo é horrível! É sem controle. Fico feliz só de a pessoa me dar bom dia e se não dá é um deusnosacuda. Não posso ficar assim suscetível ao humor de outra pessoa, EU mando em mim!

Foi aí que Cínthya, meio sorrindo, com aquela voz doce que ela tem, me disse a primeira frase que mudou a minha vida:

- Paixão é patólogico! É um sentimento doloroso e patológico, porque, via de regra, o indivíduo perde a sua individualidade, a sua identidade e o seu poder de raciocínio.

Desde aquele dia, consegui perdoar algumas de minhas loucuras, afinal, que culpa tinha eu de estar doente. Ela não quis me medicar porque afirmou que pílulas não resolveriam o que eu estava sentindo, além do fato de que ela conhecia pouquíssimas pessoas capazes de se deixar sentir o que eu estava sentindo.

Me senti, com essa explicação avalizada para viver o tal sentimento e parti em busca da cura.

Nesse processo todo, obviamente chorei e me odiei por outros milhares de vezes, mas em meio a outra sessão de choradeira (sim, sou chorona, e daí?!) quando o tal motivo da doença decidiu nunca mais falar comigo (preste atenção sempre no sentido da palavra nunca mais, pois as vezes, não dura mais do que um instante) que ela me disse a outra grande frase, que quando abstraí, mudou a minha vida.

- Não podemos controlar as outras pessoas (o que sentem, o que pensam, o que fazem…)

Isso fez total diferença na minha vida.

De fato não há como controlar nem os próprios pensamentos.

Eu passei a minha vida toda tentando controlar o que as pessoas pensavam a meu respeito, sem me dar conta que cada um vai pensar o que quiser e não há nada que eu possa fazer.

Lembrei da minha terapeuta no instante máximo do mau humor, não porque ela me desperte esse sentimento, mas porque a frase que me disse muito, estava diretamente ligada ao assunto discutido com a amiga que me chamou de grossa.

De fato, não sou a simpatia em pessoa, sou sarcástica, irônica e praquelas pessoas mais sensíveis sou considerada até meio ácida (mas essa é a opinião das outras pessoas, porque eu mesma e algumas pessoas que me conhecem um pouquinho melhor me descreveriam como engraçada e talvez até doce em alguns momentos).

Mas porque nós, as pessoas onde predominam os cromossomos XX, esquecemos dessa falta de poder sobre o outro, quando alguém não quer falar com a gente?

Porque ao invés de calar, costumamos insitir incessantemente com a frase – por que você não quer falar comigo?

Até hoje em minhas andanças pela vida, não conheci nenhum caso onde isso não acabasse em irritação profunda e brigas. Inclusive praticamente obrigando (caso houvesse esse poder) o outro a dizer coisas que não pretendia, pelo simples fato de que a vontade de calar não foi aceita.

Não digo que não sou insistente, sou capaz de chorar, rolar no chão, pedir por favor e levar qualquer criatura a tal estado de irritação quando quero respostas.

Não posso, não quer dizer não vou.

Mas a aceitação da falta de poder faz maravilhas.

Depois de muita terapia, algum amadurecimento e muitos telefones desligados “assim, meio que de repente” aprendi.Se alguém quer se manter em silêncio, vá lá, vou respeitar. Mas e você, quer conversar a respeito da pessoa que não quer falar comigo?

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Homens também são mulheres

Uma das coisas que mais gosto de fazer, é observar o comportamento humano, leia-se alheio, porque eu, me comporto exatamente como todo mundo, então, não há surpresa alguma.

Eu, na infância, classifiquei os seres humanos em dois gêneros, homens e mulheres. Na adolescência, eu descobri as derivações, gays, lésbicas e simpatizantes.

Mas em toda a minha existência, sempre houveram verdades,títulos de livros ou mesmo ditos populares que pra mim eram inquestionáveis, homens e mulheres no meu entendimento eram seres distintos, tipo:

- “Homens são de vênus e mulheres são o próprio sol”,

- Homens são fabricados em série,

- Quem viu um viu todos,

- Só muda o endereço…

E por aí vai. Eu conheci um ou outro que eram um pouquinho diferentes, mas em geral, foi necessário ler o manual de um pra entender o funcionamento de todo o resto. Até bom pouco tempo atrás…

Quando fui surpreendida por uma verdade, até então, pra mim inimaginável. Precisei reprogramar meu pensamento diante da nova descoberta.

Homens, também são mulheres.

Peraí. Não saia me julgando apressadamente e achando que eu pirei.

Vou explicar de onde tirei isso.

Os homens sempre fizeram questão de estigmatizar o sexo feminino.

Esposas, já ouvi muitas vezes, serem chamadas de polícia, radio-patroa e alguns termos claustrofóbicos com significado semelhante.

Mulher tem fama de ser chata, grudenta, ligar mil vezes, correr atrás, fazer dramas, verificar mil vezes se foram bloqueadas no msn, revistar colarinhos, xeretar e-mails e outras cositas nada melhores do que as já citadas.

Enquanto homens, seres completamente centrados, j – a – m – a – i – s passariam por um constrangimento desses. Poderia doer até a alma rachar ao meio, mas eles não usariam de qualquer meio de comunicação para fazer súplicas ou rastejar por mulher nenhuma.

Bem, essa era a teoria que eu gostava de acreditar.

Juro, sou meio conservadora (ou andei dividindo da mesma bebida da Alice, a tal, do país das maravilhas). Gosto que cada gênero tenha seus papeis bem definidos nos padrões de comportamento preestabelecidos pelos preconceitos da sociedade.

Dia desses aconteceu com uma amiga minha. Ela deu um basta numa relação que vinha acontecendo de forma instatisfatória, segundo os parâmetros do que ela definiu como sendo um bom namoro. Bastou o cara concordar com ela, para o surto acontecer.

Ela queria ele de volta, afinal, ele era o homem com o qual ela tinha sonhado a vida toda, passou o final de semana ligando e mandando torpedos, para os quais ele enviava respostas grosseiras e humilhantes – quando respondia (mulheres, não pensem mal da moça, apenas jure pra mim, que você nunca, nunquinha mesmo, fez nada parecido).

Na segunda fomos tomar um chopp (ela) coca-light (eu). Eu tentei usar a já gasta frase “amiga, não faz mais isso, fica quietinha, assim ele só vai te humilhar um pouquinho mais”, e ela respodeu: “eu não consigo”.

Eu entendi o significado daquilo, ela realmente não ia parar.

Na saída, confisquei o celular dela e levei comigo, assim, ninguém ofenderia ninguém, pelo menos não daquele telefone.

Foi nesse dia que tudo ficou claro pra mim.

Eu já vinha acompanhando há algum tempo, outras situações, que me levaram a alterar minhas crenças. Mas nesse dia eu vi um espécime típico do sexo masculino, agindo igualzinho, nós, as mulheres, fazemos.

A casa estava super silenciosa quando escutei aquele blim blom tipico de torpedo chegando. E eu, nem havia tocado em nada. Fui espiar, afinal, se ela me deixou sair com o telefone sem protestar, achei que estava avalizada para isso. Eis que encontro, uma mensagem, daquelas, bem dissimulada, que achei que só uma mulher fosse capaz de redigir.

Nem precisava de um microscópio muito potente pra ler nas entrelinhas “Eu nem te quero mesmo, mas onde você foi que parou de me dar atenção, ou as minhas grosserias?!”

Achei engraçado, por instantes, até achei que o objetivo tinha sido atingido, afinal, canja de galinha e um pouquinho de silêncio nunca fizeram mal nenhum a ninguém. Mas eis que lá pelo meio-dia, do dia seguinte o telefone tocou umas mil vezes. Sem ninguém pra atendê-lo ou dar alguma atenção ao pobre coitado que estava colocando toda sua porção mulher pra fora, os torpedos começaram. Não vou fazer um relato completo, mas haviam palavras do tipo: me perdoa, volta, me desculpa, me atende e fala comigo pelo menos um minuto…

No fim do dia, já agendada para devolver o aparelho, com a dona fazendo juras de não querer nunca mais o autor das mulherzices, o telefone tocou novamente. Distraída em meio a outras atividades, instintivamente atendi (o aparelho, que tocou de dentro da bolsa, era igual ao meu).

Era o próprio, retornando uma das inúmeras ligações que ela havia feito importumando ele em meio a uma reunião.

Tomada de uma cretinice incontrolável, fiz apenas uma pergunta, mas só para poder concluir adequadamente a minha teoria:

- Ela estava te ligando desse número?

Hoje, não sei como eles estão. Mas posso imaginar. O silêncio dela muito me diz.

Mas aos que me julgarão, essa teoria não foi desenvolvida baseada apenas nesse caso, muitas outras experiências aconteceram que me fizeram chegar a essa conclusão. Mas a observação da minha própria vida, me causa curiosidade em níveis bem menores do que outras que posso observar.

Se isso é bom ou ruim, não sei, mas experimenta um dia inverter o jogo, e devolver a um ouvido masculine todos os clichés que já ouviu, já que eles estão utilizando nossos dramalhões, seria pelo menos divertido tentar escrever o título ao contrário…

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Consultório Sentimental

Você algum dia já teve vergonha de confessar pras suas amigas mais íntimas que ligou para aquele seu caso estranho (e que você chama carinhosamente de macumba) após ele ter aprontado alguma e você chorado todas no colo delas?

Eu já chorei muito no colo de muita gente, e antes mesmo de me recuperar dos olhos inchados fui atrás do que fizesse feliz.

Mas muita gente não vai.

Escuto muito por aí, que é preciso manter o orgulho intacto, no mesmo instante imagino e até consigo visualizar a pessoa que verbalizou tal afirmação, velhinha, triste e sozinha, mas com seu orgulho lá, inabalável.

Que importância tanta tem o tal orgulho pra ser colocado assim em primeiro lugar antes mesmo daquilo que lhe deixará feliz?

Sempre acreditei que dar o braço a torcer (aqui leia-se fazer o maior dramalhão, chorar, se desculpar, se jogar no chão se necessário), e se permitir fazer o que se está querendo pode ser bem menos doloroso do que ficar ausente e convivendo com a dor da saudade. Mas aí vai dos experimentos de vida de cada um.

Talvez por realmente acreditar nisso e pela minha natural curiosidade a respeito das histórias das outras pessoas, não há um só dia em que eu não passe por uma consulta sentimental.

E nao venha você tirar conclusões apressadas e achar que minha vida emocional é muito bem resolvida, ela apenas não tem solução, mas assim eu sigo.

Muitas vezes eu mesma já quis contar detalhadamente minha vida pra alguém (mas só pra alguém que me dissesse exatamente o que eu queria ouvir e me sugerisse fazer o que eu tinha vontade de fazer), muitas vezes também, tive vergonha em ter a mesma dúvida pela milésima vez. Mas elas existiram e cada uma delas foi um aprendizado.

Não sei se foram os incontáveis tombos, a minha imedida curiosidade ou o fato de eu não ter vergonha de chorar quando da vontade e rir quando acho engraçado e simplesmente quando perguntada (e quando não me perguntam também) sugerir que as pessoas façam o que querem fazer que tornaram o meu msn tão movimentado.

São raros os dias em que eu passe sem responder a uma “consultinha” sentimental.

As vezes em duas ou três janelas ao mesmo tempo.

Se sou qualificada para isso? Obvio que não, ou minha vida seria boa o tempo todo.

Mas nunca esperem ouvir de mim aquele papo de melhor amiga”

“Ele pisou na bola, cai fora. Vai doer mas passa.”

Todos pisamos na bola.

Ninguém é dono da verdade ou tem razão o tempo todo.

Alguém me diga, por que é que nos dias atuais ficou tão feio perdoar? Desde quando a tampa da privada levantada, a toalha molhada na cama ou uma escorregadela se tornaram um defeito de personalidade tão graves pelos quais valha a pena jogar lágrimas e mais lágrimas fora, criar rugas, guardar mágoas e nunca mais haver perdão?

Não estou sugerindo que ninguém se violente para viver em dupla.

Apenas questionando porque as pessoas desistem tão fácil do que chamam de seus amores.

Quando foi que seguir em frente sem ter encerrado o assunto virou uma coisa boa?

A primeira receita que uma amiga nos dá quando estamos de coração partido é “vamos sair pra farra, beijar outra pessoa, assim você se recupera”…é mesmo? E se você sair com uma pessoa horrorosa, não corre o risco de se convencer que aquela por quem você estava sofrendo é que era o máximo?

Acredito em muita calma nessa hora. Só acaba, quando chega ao fim.

Sou monogâmica npor natureza, um amor de cada vez. Não consigo imaginar loteamentos num coração.

En†ão como seria possível curar uma bela dor de cotovelo se jogando no abismo?

No máximo se ganha um corpo todo quebrado.

Cada um tem seu tempo.

Cada um tem sua receita.

Mas, se pedir minha opinião,ela será coerente com minhas ações.

Faça o que tem vontade. A única vergonha imperdoável é ficar inerte e infeliz.

O tempo passa, nem rápido, nem devagar, mas passa.

Enquanto estamos questionando “o que será que o outro vai pensar”, o sol nasce e se põe e o outro vai continuar pensando o que bem entender, sem que tenhamos poder nenhum sobre isso.

Somos donos única e exclusivamente das nossas vontades e na maioria das vezes nos questionamos se devemos seguí-las.

Se não quiser ir atrás de seus sonhos, não pergunte pra mim. Porque esteja ele onde estiver, seja como for, nada pra mim é vergonhoso. Exceto nada fazer.

Nem tudo eu aplico, mas tudo eu tento.

Existem aquelas pessoas que não querem amar, mas poucas são aquelas que não querem amigos, e quanto a essas, a única coisa a fazer é aceitar que nada pode ser feito.

Quanto ao resto, te dá o que você quer.

Experimenta.

No final, acabamos sorrindo bem mais.

terça-feira, 24 de novembro de 2009

Ilha Deserta

Quem você levaria pra uma ilha deserta?

Brad Pitt? George Clooney? Benicio Del Toro?

Esse último até seria uma opção, nunca achei interessantes aqueles homens perfietinhos que parecem com o namorado da Barbie.

Mas, eu levaria mesmo pra ilha deserta, meu rímel e secador de cabelos, se Benicio por acaso me quisesse, teria que nadar até lá.

Certamente que ao chegar, não me encontraria de fios arrepiados, naquele meio termo entre o ondulado e liso que me deixam com cara de quem recém acordou (uma visão nada lisonjeira), mas sim com cílios negros como carvão e cabelos impecávelmente lisos.

Falo por mim, mas que mulher nunca se olhou no espelho e desejou ser exatamente o oposto do que é?

Se é lisa, leva um tempão fazendo baby liss, quando crespa faz chapinha.

Se é alta tipo mulherão queria ser por um instante mignon e se sentir acolhida se é pequena, se imagina com vinte centimetros a mais.

Se está muito magra (duvido, mulher nenhuma nunca fica magra demais!) quer engordar, se está gorda, sempre precisa perder alguns quilinhos (todas as mulheres acham que precisam perder pelo menos dois quilos, mesmo que não tenham de onde tirar).

Não conheci até hoje mulher segura o suficiente pra não encontrar um defeitinho, mesmo que imaginário em si própria.

Já ouviu alguma vez a história da mulher que está muito feliz com a vida que tem?

Isso também é um problema.

A vida perde a graça.

Imagina o tédio da vida de uma pobre coitada, feliz em seu emprego, com um salário que permite várias excursões mensais ao shopping, cabelereiro, massagista, carro novo, tratamentos estéticos de última geração e um marido lindo e gentil esperando em casa com os filhos educadíssmos e jantar pronto, finais de semana na serra pra coroar?

Tá certo que tanta perfeição assim só existe em comercial de creme dental ou margarina, mas muita gente chega bem próximo a tal estado de calmaria na vida. E isso se torna um problema.

Como é possível viver com tamanha perfeição?

Onde está o frio na barriga?

E uma choradinha de vez em quando só pra confirmar se os canais lacrimais ainda funcionam?

Se você vai me dizer que já viu esse filme escrito pela Martha Medeiros, eu vou retrucar dizendo que já vi muito disso na vida real.

Temos a tendência a buscar por aquilo que não temos ainda, ou viver seria a mais completa acomodação.

O que já me fez questionar se o que costumamos chamar de amor não é apenas um grande jogo de poder.

Certa vez ouvi num filme (o filme não marcou, já que não faço idéia de qual era) a frase "que só era romântico porque nunca aconteceu" e isso ficou gravado.

O maior amor da minha vida nunca aconteceu, e nunca acontecerá. Ficará sempre aquela sensação de que era o melhor e que poderia ter sido perfeito, apenas porque não foi.

Não haveria como ser, se não existe uma pessoa perfeita, ao colocar duas juntas eu nem preciso concluir, afinal não fui eu quem inventou as piadas sobre casamento (e olha que eu adorei casar).

Mas o meu questionamento sobre a relação poder X amor, começa lá quando você nem dentes possuía.

Veja minha teoria.

Você estava amando um chocalho que estava fora do seu alcance, fazia de tudo para seduzir o adulto mais próximo, de forma que o brinquedo viesse parar na sua mão. Valia tudo. Sorrisos, gritinhos, babas, ahahahams, uhuhums ou o que mais você conseguisse verbalizar.

Quando atingia seu objetivo, o chocalho só servia para uma única finalidade, ser jogando ao chão, tão logo chegasse as suas mãos.

Assim possivelmente foi com a primeira conquista, a segunda e assim vai.

Mas, a teoria não se aplica para aqueles casos em que mesmo que você já estivesse decicido arremessá-lo ao chão ele tomasse antes a iniciativa de pular.

Isso era simplesmente o fim do mundo.

Com o passar do tempo e o amadurecimento, não muda nada.

Você se surpreende muito tempo depois (mesmo depois de ter descoberto que a lei da gravidade se aplica também a ponta do nariz – porque não existe transport pra ponta do nariz ainda…) pois se pega fazendo as mesmas coisas e chorando o mesmo tipo de lágrimas e pelos mesmos motivos que chorava aos doze anos.

Por mais insano que pareça, toda vez que avançamos o sinal do cercadinho pra pegar um chocalho novo, a vida vira de pernas pro ar.

A gente enlouquece.

Quer voltar pro confortável cubículo que é quentinho conhecido e macio, mas o lado de fora é novo, tentador e espaçoso.

A mais centrada das amigas se declara enlouquecida.

A outra, nem tão centrada assim pergunta “ Por que foi que fiz isso ontem se nem bebi”.

Ouvem-se exclamações do tipo “Meu Deus!!! O que é que eu fui fazer?!?!”

Mas existem também aquelas que não se arrependem e fariam tudo de novo.

Não sou terapeuta, nem profissional qualificada da área, mas gosto de assistir a movimentação em volta (esse é o máximo que minha monogamia autoinfringida permite, além de opinar na vida alheia, é claro), resumindo, sou metida mesmo. As pessoas sofrendo em passar pelas grades do cercadinho quando soltar a trava da fechadura e se proporcionar o que estão querendo seria tão mais simples.

É possível se surpreender com o que há ao lado de fora das amarras e ao lado de dentro de você mesmo. Já espiou?

Eu já.

domingo, 15 de novembro de 2009

Ele não Está Tão A Fim de Você

Você já viu o filme?

Ou leu o livro?

Na verdade tanto faz como você chega na história, porque o conteúdo é o mesmo. Porém no filme pode-se contar com uma pitada de humor, outra de lágrimas ou mesmo cento e vinte dois minutos de puro reconhecimento.

A história me soou muito familiar, aí recomendei pra uma amiga e mais outra e outra e o veredicto foi sempre o mesmo.

- Ah, se eu soubesse disso antes…

É mais ou menos assim, você realmente gosta do cara, mas não consegue saber se ele gosta de você. Você inventa desculpas, decide que ele está confuso, teve um acidente, que a mãe morreu, que o seu telefone está quebrado e por isso você não recebe exclusivamente as ligações dele.

Tudo, menos a latente e óbvia verdade.

Pare de se enganar.

Existe uma explicação muito mais simples: ele não está afim de você.

Acho que nossas mães deveriam nos apresentar o filme aos 12 anos e nos fazer assistir repetidamente até que pelo menos, entendêssemos a teoria, nem que fosse na marra.

O livro, deveria ser matéria obrigatória na escola, e estou falando do ensino fundamental, junto da alfabetização.

Obviamente, esqueceríamos qualquer coisa aprendida diante da primeira paixonite.

Mas o nosso subconsciente, não deixaria de nos avisar que se não ligou, foi porque não quis. Se não deu notícias, foi porque não quis. Se não deu sinal de fumaça, de certo não tinha fogo, mas certamente tinha diversas outras opções.

Que não existe nada no mundo que impeça uma pessoa viva de fazer contato quando tem vontade, embora muitas vezes utilizamos da nossa máxima força de vontade para tentar acreditar nas desculpas.

- Estou sem tempo: Falta de tempo, não é desculpa, pois com 30 segundos da pra enviar um torpedo, mail, ou mesmo fazer uma ligação rapidinha. Falo nisso porque essa é a desculpa padrão de todo mundo, nossa inclusive, quando queremos sair pela tangente de uma situação difícil. Mas fala sério, quem não tempo pra fazer alguma coisa que quer muito e nem demora, pode até dizer que esqueceu, pois eu mesma, sou enrrolada e esqueço, mas tempo, tem sim.

- Estive muito focado no trabalho: e quem nos dias atuais não está? Você certamente não estaria esperando contato de alguém que não pensa em trabalhar, mas se em algum momento do dia a pessoa não parou pra pensar no assunto “você”, ou não está a fim, ou não vale a pena o esforço, então, passinho a frente, por favor, que a fila anda…

- Estive doente e quase morri: bem, se estava doente, e não aproveitou pra desfrutar da sua adorável compania e dos travesseiros fofos que você poderia oferecer (isso não significa que você tenha vocacão pra enfermeira, mas a pessoa bem que poderia ter tentando, afinal carinho e boa compania nunca matou ninguém), nesse caso, um chazinho cai bem, chá de sumiço nele.

- Perdi o número do seu telefone: resumo, não quis mesmo, ninguém que tenha alguma consideração guarda um telefone importante em lugar que possa ser perdido. Melhor assim, que não ache! Pois num futuro próximo, perderia a hora, o endereço do restaurante, esqueceria a data do seu aniversário…

Ou você acredita no seu bom senso, ou terá que acreditar meses mais tarde quando ele lhe disser que nunca teve nada com você.

Mas se mesmo sabendo de tudo isso você ainda assim se declarar louca pela pessoa?

Bem, isso o filme não conta, aliás, acaba meloso como todas as comédias românticas de Hollywood, mas em pesquisas sociológicas de minhas andanças pela vida ouvi algumas histórias pouco eficientes de como se livrar de um cara que não está afim de você.

- Beber algum destilado no gargalo: se o destilado estiver quente, o enjôo vem mais rápido, você tem uma amnésia temporária, afinal com a ressaca que vem depois, não há como pensar em mais nada além de analgésicos e na proximidade da porta do banheiro.

- Chorar todas as lágrimas do mundo: você tem uma overdose de pensamentos na pessoa enquanto chora, porém nos três dias seguintes, o único pensamento que vai lhe ocorrer é como disfarçar o inchaço causado pelas lágrimas para poder sair de dentro de casa, pode acreditar, não haverá espaço para pensar em outra coisa além de maquiagem corretiva.

- Sair para se divertir com as amigas num bar da moda, e acabar soluçando compulsivamente em meio a todos, micão (!!!), dá pra pensar em outra coisa? Dá sim, em quanto (esquecendo o mico é claro) isso pode fortalecer a sua auto-estima quando você é socorrida por um monte de bonitões que dizem que ele não vale a pena e ressaltam todas as suas qualidades, mesmo que sejam só as qualidades externas, mas que que causa amnésia temporária, ah, isso causa!

- Também há o remédio dos poetas, o tal do tempo. Dizem que o tempo tudo cura, tudo resolve, tudo faz esquecer e eles estão cobertos de razão. Não há nada melhor, mas até lá…

Porém em meio há isso tudo, as vezes é possível descobrir coisas incríveis a nosso próprio respeito.

Talvez aquelas coisas que só conseguimos perceber com a chegada da maturidade (quando falo em maturidade, juro que corro ao espelho mais iluminado pra ver se acho algum cabelo branco nascendo, porque em meu mais remoto subconsciente, maturidade está diretamente ligado a envelhecer e apesar de toda poesia, ainda não estou pronta pra isso – por sorte, não achei nenhum).

Existem na vida aquelas pessoas de quem você gosta e pronto.

Não importa o quanto elas gostam de você ou mesmo se gostam de você.

Você gosta delas apesar de qualquer coisa e por qualquer coisa.

Podem ver o mundo de uma forma completamente diferente da sua, ter ambições e crenças diferentes, valores diferentes e ainda assim, você tem um sentimento maior, e as acha lindas.

Já aconteceu com você?

Comigo já.

Há muitos anos, uma amiga, da qual nem tenho mais notícias falou algo a respeito do namorado, na época para mim, incompreensível.

Ela disse que gostava tanto dele que queria que ele fosse feliz mesmo que com outra pessoa.

Eu, a mais ciumenta e possessiva das criaturas, imaginei que ela só poderia estar louca.

Só anos mais tarde, olhando a pessoa que estava sentada ao outro lado da mesa, tão forte e tão frágil ao mesmo tempo é que pude compreender tal afirmação.

Talvez seja isso, a tal da maturidade chegando, mesmo com a ausência de cabelos brancos (graças a deus!), mas apesar dos percalços, das ligações que não recebemos ou das desculpas mais esfarrapadas do mundo, um dia conseguimos gostar de alguém assim, mesmo que isso signifique que vamos ficar só…